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[Divulgação 34-2017] – Clube do Livro Lygia Bojunga – TCHAU

Arte: Lucas Prisco

 

No dia 31 de outubro de 2017 o Clube do Livro Lygia Bojunga encerra o ano com a leitura da obra Tchau.

Tchau

Tchau reúne quatro narrativas densas, onde – no estilo habitual que já se tornou sua marca – Lygia transita com inteira liberdade entre o realismo e o fantástico. Aqui, ela nos fala de paixão, de amizade, de ciúme e da necessidade de criar.

Tchau foi incluído na seleção dos melhores livros da BIBLIOTECA INTERNACIONAL DA JUVENTUDE – Munique, Alemanha.

Texto extraído do site Casa Lygia Bojunga – http://www.casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

Fonte: http://www.casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

Encontros: Todas as Terças-Feiras.

Horário: das 19h às 21h

Local: Auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina.

Contato: evandroduarte@fcc.sc.gov.br

 

Post escrito por Evandro Jair Duarte

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[Divulgação 32-2017- ENCONTROS DE OUTUBRO DE 2017

Arte: Lucas Prisco

 

OUTUBRO

3 – Não Haverá Encontro – escrita do conto final da Oficina a ser desenvolvido em casa.

10 – Gênero Literário – CONTOS – Estudo do FOCO NARRATIVO

17 – Gênero Literário – CONTOS – Estudo da ANÁLISE DAS NARRATIVAS

24 –  17h – Lançamento do E-book da Oficina Literária Boca de Leão – ano 2016 – no Hall da Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina

24 –   19h – Socialização dos Contos Produzidos em 2017 – ENCERRAMENTO

31 – Clube do Livro Lygia Bojunga – Tchau – ENCERRAMENTO

 

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. 3. ed. São Paulo: Ática, 1995.

LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O foco narrativo: ou a polêmica em torno da ilusão. 8. ed. São Paulo: Ática, 1997.

MARIA, Luiza de. O que é conto. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. (Coleção Primeiros Passos, v. 135).

 

 

Florianópolis, 28 de Setembro de 2017

 

 

Evandro Jair Duarte

 

Bibliotecário da Biblioteca Pública de Santa Catarina – CRB 14/1145

E-mail: dujaev@gmail.com

 

Post escrito por Evandro Jair Duarte

 

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[Divulgação 31-2017] – Clube do Livro Lygia Bojunga – O Sofá Estampado

Arte: Lucas Prisco

O sofá estampado

Um dos livros mais premiados de Lygia Bojunga, O sofá estampado conta uma história aparentemente singela (a paixão de um tatu por uma gata angorá), abrindo em suas páginas um leque de personagens pitorescos, que pincelam com suas ações e diálogos um quadro divertido e emocionante de crítica social.

Texto extraído do site Casa Lygia Bojunga – http://www.casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

Fonte: http://www.casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

 

Encontros: Todas as Terças-Feiras.

Horário: das 19h às 21h

Local: Auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina.

Contato: evandroduarte@fcc.sc.gov.br

 

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[Divulgação 28-2017] – Clube do Livro Lygia Bojunga – O SOFÁ ESTAMPADO

Arte: Lucas Prisco

 

O sofá estampado

Um dos livros mais premiados de Lygia Bojunga, O sofá estampado conta uma história aparentemente singela (a paixão de um tatu por uma gata angorá), abrindo em suas páginas um leque de personagens pitorescos, que pincelam com suas ações e diálogos um quadro divertido e emocionante de crítica social.

Texto extraído do site Casa Lygia Bojunga – http://www.casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

 

Fonte: http://www.casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

 

Encontros: Todas as Terças-Feiras.

Horário: das 19h às 21h

Local: Auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina.

Contato: evandroduarte@fcc.sc.gov.br

 

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[Divulgação 27-2017] – ENCONTROS DE SETEMBRO DE 2017

Arte: Lucas Prisco

 

SETEMBRO

5 – Estudo de autor – Machado de Assis – A causa secreta – Exercício de Construção do Personagem + Inserção do Personagem em Contexto + Socialização

12 – Exercício de estilo – Baseado em Machado de Assis – Socialização do Conto Curto e Análise da Construção do Personagem

19 – Gênero Literário – CONTOS – Estudo – Personagem, Enredo, Tempo, Espaço, Ambiente e Narrador – Exercícios

26 – Clube do Livro Lygia Bojunga – O sofá estampado

 

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

ASSIS, Machado. A cartomante. Seleção de contos. Rio de Janeiro: Revan, 1989. p.125.

ASSIS, Machado. A causa secreta. Obras completas de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Aguilar. 1994. vol. II. p. 511.

ASSIS, Machado. A missa do galo. Seleção de contos. Rio de Janeiro: Revan, 1989. p.163.

ASSIS, Machado. O enfermeiro. Obra completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. 1994. vol.II.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. 3. ed. São Paulo: Ática, 1995.

GOLDBERG, Natalie. Escrevendo com a alma: desperte o escritor que há em você.

LAJOLO, Marisa. O que é literatura. São Paulo: Nova Cultural, 1986. (Coleção Primeiros Passos, v. 92).

LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O foco narrativo: ou a polêmica em torno da ilusão. 8. ed. São Paulo: Ática, 1997.

MARIA, Luiza de. O que é conto. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. (Coleção Primeiros Passos, v. 135).

PAIXÃO, Fernando. O que é poesia. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1988. (Coleção Primeiros Passos, v. 63).

REIMÃO, Sandra Lúcia. O que é romance policial. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, [1983]. (Coleção Primeiros Passos, v. 109).

SILVA, Antonio Manoel dos Santos. Análise do texto literário: orientações estilísticas. Curitiba: Criar Edições, 1981.

ZILBERMAN, Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005. (Como e por que ler ; 4).

 

Florianópolis, 31 de Agosto de 2017

 

 

Evandro Jair Duarte

Doutorando em Ciência da Informação (UFSC)

Mestre em Ciência da Informação (UFSC)

Especialista em Gestão da Informação e Inovações Tecnológicas (FACINTER/IBPEX)

Bacharel em Biblioteconomia – Habilitação em Gestão da Informação (UDESC)

Bibliotecário da Biblioteca Pública de Santa Catarina – CRB 14/1145

Matrícula 332329-3-02

E-mail: dujaev@gmail.com

 

Post escrito por Evandro Jair Duarte

 

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Clube do Livro – A Boca (Bolsa) de Leão (Amarela) – (Texto de Nancy Fajardo – enviado por e-mail)

A Boca (Bolsa) de Leão (Amarela)

No livro a Bolsa Amarela, Lygia Bojunga expõe três assuntos muito interessantes para quem é ou já foi criança, e para quem está interessado na escrita. Raquel, protagonista da historia tem três vontades: a primeira a de ser maior, a segunda a de ser menino e terceira a de escrever. As três são problemas para ela, por causa do seu entorno social, nem na família da Raquel, nem na sua escola é compreendido o conflito que as três vontades têm gerado na vida da menina.

A família de Raquel está composta só por adultos. Tanto os pais quanto os irmãos estão envolvidos completamente no mundo dos adultos. Eles esqueceram o mundo infantil e não compreendem ou dão importância aos problemas e preocupações de Raquel, ou à solidão que pode experimentar uma criança, quando o mundo infantil é desvalorizado e não consegue orientação para enfrentar o contexto de valores e preconceitos no qual esta imersa.

A primeira das vontades, a de ser maior, aponta às memórias da infância, à condição de dependência da criança frente ao adulto cuidador (pais, família, professores, etc.) e a desigualdade inerente nesse relacionamento. Quando estas condições de desigualdade são fortalecidas pelas práticas sociais e culturais, fazem com que o mundo infantil e os conflitos próprios sejam ignorados e menosprezados. Tão natural é a tendência a desvalorizar o mundo infantil na nossa sociedade, que quando um adulto mostra uma reação emocional exagerada ou dá importância demais a um assunto que os outros encontram superficial, é chamado de infantil.

Essa abordagem tradicional do mundo da criança é apresentada no livro por intermédio do relacionamento da Raquel e sua família, especialmente na cena em que todos vão para o almoço na casa da tia Brunilda, que é rica, e por isso a família da Raquel tenta de todo jeito agradá-la. No almoço, Raquel é pressionada para comer o que não gosta, para cantar, para dançar, para contar histórias e para abrir a bolsa amarela. Nessa situação, evidencia-se como as opiniões, exigências e necessidades do adulto são consideradas muito mais importantes do que as da criança, ao ponto de que seja desejável que a criança se comporte como um fantoche, que haja em função da vontade do adulto.

A vontade de Raquel, de ser maior, espelha a necessidade de reconhecimento da criança dentro do seu entorno social, para ela, esse reconhecimento é impossível, e para obtê-lo, a única possibilidade é ser maior.  A percepção da Raquel sobre o rol da criança muda com a amizade dela e a família da casa de consertos, ali ela enxerga como uma criança (Lorelai) tem uma posição de poder (reconhecimento e respeito a sua individualidade) sem rejeitar ou sair do seu lugar de criança. Na casa dos consertos, cada um é diferente, mas todas as diferencias são reconhecidas e respeitadas, ao ponto que Lorelai pergunta para Raquel porque é que criança e adulto não podem achar igual.

A segunda vontade, a de ser menino, é apresentada na história, como a vontade de se rebelar contra o poder exercido pela sociedade, no que diz respeito às regras de gênero. A pressão das regras pré-estabelecidas e diferenciadas para cada gênero é uma constante na vida das mulheres (dos homens também) e uma forma de encará-la, é o desejo de ser homem. Na história, Raquel quer ser menino porque menina não pode nada das coisas que ela gosta, como soltar pipa, jogar bola, ser o chefe da família, ou, quando adulta, ter independência e tomar as próprias decisões, etc. Essa vontade, de ser menino, é uma vontade que muitas mulheres compartilham em alguns momentos da vida, sobre tudo quando os preconceitos sobre nossa condição de mulher restringem a nossa liberdade de agir.

A vontade de ser menino é resolvida de um jeito muito bonito e engenhoso no livro, quando Raquel conhece a família da casa dos consertos, especialmente, quando vira amiga de Lorelai e sua mãe, essa amizade amplia a gama de possibilidades da vida de Raquel, lhe mostrando que as pessoas podem fazer o que elas gostam e querem, independentemente do seu gênero.  Lorelai e sua mãe mostram para a Raquel que, conseguir o que ela quer depende em grande medida dela mesma e exemplificam como o contexto social pode facilitar a execução das vontades de um individuo, seja mulher ou homem, velho ou jovem.

A terceira vontade é apresentada na história de um jeito muito lúdico e profundo, a vontade de escrever, é uma força dentro da Raquel que precisa se manifestar na realidade de algum jeito, porque do contrário, entorpece a vida dela e sua relação com os outros. A vontade de escrever, é uma força criativa tão grande que, às vezes, se expressa, mesmo contra a vontade da Raquel. Essa vontade é expressa tanto na linguagem oral (nas histórias que Raquel conta para seus familiares e na escola) quanto na linguagem escrita (por meio dos contos e romances que ela inventa).

Raquel quer esconder as suas vontades de escrever, por causa de que sua família não entende os seus escritos, nem sua necessidade de escrever. Isso se mostra no começo do livro, quando a Raquel imagina um amigo, este que responde às suas cartas. O irmão dela lhe diz que não pode continuar com aquela fantasia. Outro momento, é quando ela escreve o romance do galo Rei, que quando encontrado pela sua família é objeto de deboche, fazendo a Raquel sentir que sua habilidade para escrever e sua imaginação sejam desvalorizadas.

A rejeição dos outros à obra do escritor, (neste caso da família da Raquel) é um conflito que as pessoas interessadas na escrita encaram em diversas oportunidades. A vontade de escrever e o exercício da mesma, nem sempre são compreendidos pelas pessoas ao redor do escritor (família, escola, trabalho, …) e, por causa dessa incompreensão, o escritor pode sentir-se isolado, fora do seu lugar. O escritor, também, encara essa solidão, enquanto artista, por causa de que o fato de escrever é uma ação individual, de reflexão sobre o mundo ou sobre si. Ação que é particular e envolve sensações e emoções, que podem ser compreensíveis pelos outros ou não. Os leitores são os receptores do ato de escrever, como observadores de um mundo interno (do escritor) exposto em palavras.

No livro, a solidão da Raquel, como escritora, é evidente desde o começo da história. O fato dela bolar um amigo para se escrever cartas, mostra que ela não tinha com quem compartilhar aquela vontade de escrever, não tinha um colega que se interessasse do mesmo jeito que ela pela escrita. Igualmente, a família da Raquel percebe a capacidade de escrever e imaginar dela como um problema que era importante esconder ou suprimir.

Quando a Raquel conseguiu ficar como a bolsa amarela, conseguiu um lugar no mundo onde poderia colocar suas vontades. Um lugar próprio, no qual suas vontades e suas histórias puderam se expressar na realidade. Desde a aparição da bolsa amarela, Raquel começou a encontrar companhia, primeiro de objetos e animais (o feche – zíper, o guarda-chuva, o alfinete e o galo Alfonso – o Terrível), e depois de pessoas (a família da casa dos consertos). Depois de ganhar a bolsa amarela, Raquel descobriu que existem pessoas (animais e objetos também) semelhantes a ela; outros que conseguem entender sua visão do mundo, e que lhe mostram um mundo com mais opções, com possibilidades de enxergar suas vontades como algo útil e valioso, para ela e para os outros; como um talento que faz ela única, e que pode beneficiar e agradar os que a rodeiam.

Do mesmo jeito que em “A Bolsa Amarela”, a Oficina Literária Boca de Leão tem se configurado como um lugar no qual se pode colocar em prática a vontade de escrever. Igual a uma bolsa amarela gigante, onde muitas pessoas interessadas na escrita podem manifestar na realidade todas aquelas histórias. Ali, personagens e criações que têm engordado as suas vontades de escrever, ao ponto de encher a bolsa. Talvez não tivessem um lugar próprio no qual fossem compreendidas ou estimuladas. Ou tivessem.

A Oficina Literária Boca de Leão é como uma bolsa amarela gigante, em que se tem constituído como um ponto de encontro para pessoas de múltiplos contextos sociais e bagagens culturais que se tornam semelhantes pelo seu interesse na escrita.  Tem se estabelecido como um espaço no qual a palavra, a criatividade, a escrita e a literatura são exercidas, entendidas e aprendidas através do compartilhar de visões do mundo e experiências de vida.

A Oficina Literária Boca de Leão é como uma bolsa amarela gigante, possibilita a criação e compreensão do ato (arte) de escrever não somente como uma tarefa individual e isolada, que parte da experiência subjetiva de cada escritor; mas como uma função social, como uma oportunidade de aprendizado, enriquecimento e criação coletiva e do coletivo.

 

Texto escrito por Nancy Fajardo (enviado por e-mail)

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[Divulgação 25-2017] – Clube do Livro Lygia Bojunga – CORDA BAMBA

Arte: Lucas Prisco

O Clube do Livro Lygia Bojunga estará reunido no dia

29 de agosto de 2017

às 19h no Auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina para discutir sobre oa obra CORDA BAMBA de Lygia Bojunga.

Venha participar!

Traga suas anotações, suas interpretações, suas percepções, suas palavras, frases ou trechos de preferências ou que te incomodou, emocinou…

Fonte: http://casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

 

Texto extraído do site CASA LYGIA BOJUNGA

http://casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

Corda bamba

Corda bamba é um sopro de coragem que nos leva ao encontro de forças adormecidas. E com cuidado, bem ao seu estilo, Lygia “estica a corda” e nos faz transpor a ponte que liga duas extremidades: realidade e fantasia. Trabalhando na linha psicológica, com muita sensibilidade e respeito ao ser humano, enfoca a morte e seus estigmas. Conduz com maestria e um humor singular o aprendizado de viver com a perda. Ilumina a obscuridade ao levantar questões que passam despercebidas no cotidiano. Cria diálogos ricos entre o inconsciente e a realidade, e nos leva à compreensão de que podemos caminhar sozinhos e sermos bem sucedidos, mesmo que andemos na corda bamba.

Corda bamba foi filmado pela TV sueca, encenado em teatros do Brasil, Alemanha e Holanda.

 

Post escrito por Evandro Jair Duarte

 

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Clube do Livro – Angélica, a identidade, a transformação e a arte (texto de Nancy Fajardo – enviado por e-mail)

Nancy participou do Clube do livro e fez anotações sobre as impressões e resolveu compartilhar o texto no Blog da Oficina Literária Boca de Leão.

 

Angélica, a identidade, a transformação e a arte.

No livro Angélica, Ligia Bojunga aborda a temática da identidade e como essa identidade pode ser transformada (às vezes em contra de si mesmo) pela relação com os outros, este assunto é trabalhado através dos conflitos que alguns personagens enfrentam. Dentro dos vários animais e pessoas que estão envolvidos na historia, tem dois nos que o assunto da identidade é especialmente importante, eles são o porco Porto e a cegonha Angélica.

O porco Porto entra na vida por sua própria vontade e não tem pais ou familiares, entra no mundo sem um contexto de relações sociais que o limitem ou o determinem. Ele é feliz só de existir, se relaciona com todos os seres ao seu redor como seus pares, embora sejam diferentes dele, está alegre com ser como ele é. No livro se percebe essa alegria de viver do porco no encontro com o lago, nele, o porco agradece a vida e se enxerga como um ser completo, satisfeito com a vida e com o quem ele é.

Tudo continua dessa forma mesmo depois do porco encontrar as pessoas no porto, porem, alguém o avisou que não podia continuar vivendo sem saber escrever e ler. A entrada na escola marca uma mudança enorme na vida do porco, ele conhece outros animais que ele acha que são seus colegas, mas eles não o aceitam, e pela primeira vez o porco se enxerga no olhar dos outros e percebe que eles dão uma conotação negativa ao seu nome e a sua identidade. Sua identidade de porco é transformada pelas crenças, preconceitos e sistemas de valores que os outros trazem na interação com ele, a sua identidade (o fato de ser porco), torna-se incompleta, insatisfatória e insuficiente para sua felicidade.

A mudança que o porco sofre depois de ser inserido na escola, remete à transformação que as crianças vivenciam quando vão para primeira serie, lá eles tem contato com a escola como instituição que impõe os padrões do processo de educação, nesse momento as crianças vão de uma educação lúdica (em casa ou na creche) ao processo de educação formalizado. A importância do fato de se alfabetizar destaca a posição da escola como o lugar donde a criança pode se apropriar do saber cultural e social e ao mesmo tempo pode aprender a replicar ou questionar as práticas sociais.

Para o porco aquele olhar do outro, a interação com ele mudou de maneira radical a sua identidade e o jeito de se relacionar com si mesmo, ao ponto de ter que mudar de nome (o que ele é como animal) e de aparência para poder continuar com sua vida e ganhar a aceitação dos outros, o porco se rebela contra a sua essência e não é mais um porco e sim um Porto.

Porto continua tendo conflito com se mesmo durante quase toda a historia, mas de novo a sua identidade é modificada pela interação com os outros, desta vez é a Angélica a que começa a dar outros sentidos á identidade de porco, falando que ela mesma tem espírito de porco e que isso fez ela se diferençar dos seus irmãos, isso a fez especial. O espírito de porco faz também que Porto e Angélica tenham algo em comum, algo que os une e que faz parte do relacionamento no que os dois acabam se envolvendo.

O Porto finalmente pode volver a ser porco e ser fiel a sua própria identidade pela influência de todos os outros personagens e a aceitação deles, quando o Porto tira o disfarce todos ficam surpreendidos, mas não dão importância ao fato do Porto ser um porco e sim aos laços de amizade que eles construíram fazendo do fato do Porto ser um porco um aspecto que não muda o que o Porto é nem o relacionamento entre eles.

Adicionalmente, neste livro igual ao livro os colegas o Porto pode volver a ser porco e ser fiel a sua própria identidade a traves da arte, a traves da obra de teatro que ele e os outros personagens inventam para ganhar dinheiro. O assunto das artes é tratado no livro os colegas e no de Angélica como um importante meio para a transformação de si mesmo.

Nos colegas, os animais conseguem deixar de mendigar ou roubar para sobreviver através do seu trabalho no circo, pela arte os bichos passam de serem sujeitos marginais e se inserem no tecido social tendo proteção, trabalho e comida. Do outro lado, no livro Angélica, é através do teatro que o porco conseguiu se aceitar completamente, ter uma rede de amigos e encontrar um lugar na sociedade.

Alem da historia do porco, a temática da identidade é exposta no livro através do próprio personagem de Angélica, com diferença do Porto, ela nasce rodeada de sua família, uma rede social que define o seu papel no mundo. Eles definem a Angélica como uma cegonha que traz os bebês ao mundo. Angélica acredita em todos os significados e o papel social dela e de sua família até perceber que esse rol é mentira, mas essa mentira lhes traz muitas vantagens e privilégios no seu entorno social e a sua família não quer dizer a verdade por causa disso.

No momento em que Angélica entende a mentira, quer que a sua família mude e fale a verdade, mas não consegui convencê-los, pois para eles as vantagens da mentira justificam o fato de mentir, os pressupostos morais da família da Angélica aprovam a mentira como algo necessário dentro do seu contexto social.  Angélica se rebela contra esses preceitos morais e não está disposta a sacrificar os seus princípios éticos dentro dos quais a mentira e o engano ás crianças não pode ser justificado, em conseqüência, ela entra em conflito consigo mesma e tenta lidar com esse conflito de vários jeitos.

Num primeiro momento, Angélica tenta se afastar da sua família, ela planeja uma viagem e tenta obter a permissão dos seus pais para ir embora, mas seus pais não a deixam, então o conflito entre a sua ética e a moral proposta pelo seu entorno social fica tão grande que ela decide desnascer, a impossibilidade de ter um lugar acorde com a sua identidade e seus princípios dentro da ordem social a faz desistir do fato de existir ou ter existido.

Neste ponto da historia é enfatizado como pode ser transformadora da identidade a pressão social e a interação com os outros, especialmente em duas circunstancias: primeiro quando não tem lugar para a diferença, até o ponto de se questionar o propósito ou o valor da própria existência se não se pode expressar a própria identidade (a negação de si mesmo, o desnascimento). Segundo, quando o poder transformador do âmbito social cria possibilidades para o desenvolvimento da identidade.

Na historia, a ação dos outros é a que impede que Angélica consiga desnascer, sua família percebe quanta infelicidade causou nela pela exclusão da sua forma de pensar e impedem que ela volte para o ovo, eles a deixam ir embora e dão um presente que acham que pode lhe ajudar no seu novo caminho.  A família de Angélica da um lugar para a identidade dela dentro do tecido social que lhe possibilita criar uma realidade mais acorde com os seus princípios éticos.

A viagem da Angélica e a busca de outras realidades fazem com que ela encontre outros personagens que enxergam de outro jeito o seu papel como cegonha, um deles é o porco Porto, quem fica apaixonado por ela pelo fato de ela ser artista (tocar a flauta) e não pelo fato de ela ser uma cegonha que traz crianças ao mundo. Angélica encontra contextos sociais que dão outras opções para construir sua própria identidade e exercer um rol social que permite diversas formas de interatuar com os outros.

Angélica consegue usar sua própria historia como um jeito de mudar a sua identidade e a realidade social através da arte. Na criação de uma obra de teatro, escrevendo e pondo em cena a historia da sua vida, Angélica encontrar amizade, amor e uma maneira de expressar o errado que ela considera o rol tradicional da cegonha baseado num engano.

A arte e apresentada como um agente de transformação tão poderoso que permite que Angélica comece a mudar o próprio contexto social da sua família. Isto é evidente quando o irmão da Angélica vai assistir a obra de teatro e acaba concordando com a visão dela e questionando a legitimidade do engano para obter uma posição social privilegiada.

No livro Angélica o assunto da construção da identidade e a modificação do contexto social pela interação com os outros é abordado como um conflito dinâmico que tem um grande poder transformador. O conflito pode se manifestar tanto para a negação ou a exclusão, no caso do rechaço do Porto do fato de ser um porco e a decisão de Angélica de desnascer, quanto para a criação e realização, no caso do Porco se aceitar e conseguir a aceitação dos outros e de Angélica se repensar como diferente da sua família e com a capacidade de se expressar e modificar o seu entorno social. Adicionalmente, a arte é apresentada como uma atividade social fundamental para a mudança dos indivíduos da sociedade e da cultura ao ponto de ser o veiculo de transformação da Angélica e o Porto para resolver os seus conflitos com se mesmos e como o seu cenário social.

 

Post Escrito por Nancy Fajardo 

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3 de agosto de 2017 · 15:16

[Divulgação 22-2017] – Clube do Livro Lygia Bojunga – CORDA BAMBA

Arte: Lucas Prisco

 

O Clube do Livro Lygia Bojunga estará reunido no dia 29 de agosto de 2017 às 19h no Auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina para discutir sobre oa obra CORDA BAMBA de Lygia Bojunga.

Venha participar!

Traga suas anotações, suas interpretações, suas percepções, suas palavras, frases ou trechos de preferências ou que te incomodou, emocinou…

Fonte: http://casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

 

Texto extraído do site CASA LYGIA BOJUNGA

http://casalygiabojunga.com.br/pt/obras.html

Corda bamba

Corda bamba é um sopro de coragem que nos leva ao encontro de forças adormecidas. E com cuidado, bem ao seu estilo, Lygia “estica a corda” e nos faz transpor a ponte que liga duas extremidades: realidade e fantasia. Trabalhando na linha psicológica, com muita sensibilidade e respeito ao ser humano, enfoca a morte e seus estigmas. Conduz com maestria e um humor singular o aprendizado de viver com a perda. Ilumina a obscuridade ao levantar questões que passam despercebidas no cotidiano. Cria diálogos ricos entre o inconsciente e a realidade, e nos leva à compreensão de que podemos caminhar sozinhos e sermos bem sucedidos, mesmo que andemos na corda bamba.

Corda bamba foi filmado pela TV sueca, encenado em teatros do Brasil, Alemanha e Holanda.

Post escrito por Evandro Jair Duarte

 

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Divulgação 18-2017 – ENCONTROS DE AGOSTO DE 2017

Arte: Lucas Prisco

AGOSTO

1 – RECESSO – Ler Machado de Assis – A cartomante ou A causa secreta

8 – Estudo de personagem – Teoria e Prática

15 – Estudo de Autor – Machado de Assis – Conto: A Cartomante – (Estudo e Exercício)

22 – Não haverá encontro (exercício encaminhado por e-mail)

29 – Clube do Livro Lygia Bojunga – Corda Bamba

 

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

ASSIS, Machado. A cartomante. Seleção de contos. Rio de Janeiro: Revan, 1989. p.125.

ASSIS, Machado. A causa secreta. Obras completas de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Aguilar. 1994. vol. II. p. 511.

ASSIS, Machado. A missa do galo. Seleção de contos. Rio de Janeiro: Revan, 1989. p.163.

ASSIS, Machado. O enfermeiro. Obra completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. 1994. vol.II.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. 3. ed. São Paulo: Ática, 1995.

GOLDBERG, Natalie. Escrevendo com a alma: desperte o escritor que há em você.

LAJOLO, Marisa. O que é literatura. São Paulo: Nova Cultural, 1986. (Coleção Primeiros Passos, v. 92).

LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O foco narrativo: ou a polêmica em torno da ilusão. 8. ed. São Paulo: Ática, 1997.

MARIA, Luiza de. O que é conto. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. (Coleção Primeiros Passos, v. 135).

PAIXÃO, Fernando. O que é poesia. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1988. (Coleção Primeiros Passos, v. 63).

REIMÃO, Sandra Lúcia. O que é romance policial. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, [1983]. (Coleção Primeiros Passos, v. 109).

SILVA, Antonio Manoel dos Santos. Análise do texto literário: orientações estilísticas. Curitiba: Criar Edições, 1981.

ZILBERMAN, Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005. (Como e por que ler ; 4).

 

 

 

Evandro Jair Duarte

Doutorando em Ciência da Informação (UFSC)

Mestre em Ciência da Informação (UFSC)

Especialista em Gestão da Informação e Inovações Tecnológicas (FACINTER/IBPEX)

Bacharel em Biblioteconomia – Habilitação em Gestão da Informação (UDESC)

Bibliotecário da Biblioteca Pública de Santa Catarina – CRB 14/1145

Matrícula 332329-3-02

E-mail: dujaev@gmail.com

 

Post escrito por Evandro Jair Duarte

 

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