Encontro 10 – Estudo – Contos

RELATO DA OFICINA LITERÁRIA BOCA DE LEÃO

9 DE AGOSTO DE 2016

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Arte: Lucas Prisco Puga

 

Encontro específico para a Escrita e Análise de Contos produzidos em casa. Assim, deu-se a abertura com a reflexão da forma como cada um constrói o seu personagem, a ambientação para entrar no texto.

Marcelo disse que escreve sem identificação de nome ou característica, pois a característica surge no próprio contexto. Mencionou não apresentar o personagem, ele é descoberto ao longo da história. Quem lê identifica quais são os personagens. Para ele a identificação não é tão necessária se der pistas de qualificação ou traços da personalidade. Ele trabalha com personagens não nominados e que representam vivências universais, em que muitos que o lê identificarão com a história ou personagem. Sobre isto, lembramos da história de O Pequeno Príncipe, ele não tem nome; a Raposa, ele não tem um nome próprio; a Rosa, não é Maria, Rita, Sarah, Stephanie, não, ela é a Rosa. Personagens que são representações do que são sem ter um nome de batismo os representando do texto.

Pati Peccin mencionou que desenvolve um conto sobre histórias que já viu, viveu ou ouviu por aí e que os personagens são: a mulher do feijão, o lenhador, o sapo, a louca da almofada, todos eles sem nome específico. Ela resolveu deixar desta forma. Disse que com a inspiração do livro O ORFANATO DA SRTA. PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES ela teve a ideia de escrever um conto de fantasia. Visitou Urubici e brincou com a possibilidade transformar a Pedra Furada em um espaço de ambientação do conto, a área militar pode proteger um mistério, o receptor da abertura da fenda, e outros personagens surgem. Pati brincou de fazer personagens híbridos. Tem anotado frases para ajudar na construção dos textos de contos a surgir. Um exemplo era: “ela era tão pobre que até os zeros caíam no chão”.

Mara Paulino disse ter ido ao Museu do Érico Veríssimo e presenciou a forma como ele escrevia, ele desenhava mapas antes de escrever. Após este desenhar, ele ligava os pontos e fazia a história. Mara menciona no transcorrer das falas dos colegas que quando escrevemos o psicológico sempre está presente no texto. Outra contribuição de Mara foi a de não subjugar os leitores, pois ele está lendo o texto, mas a ficha pode cair depois. Assim, ela considerou ser necessário pesquisar nos mínimos detalhes sobre o que vai escrever. Mara disse que buscava transcrever seus relatórios de experiências em mini contos. Falou que traz para o texto a linguagem das pessoas do local onde vive, tem muito do cotidiano em seus textos. Escrevia muito com personagem em terceira pessoa. Gostava de escrever contos que nem sempre tem final feliz. Contou que é formada em Artes Visuais e História e coloca suas experiências de formação no que escreve.

Marina falou que tudo o que escreve não segue muito bem a técnica da escaleta ou dentro de uma estrutura de técnicas. Quando redige um texto em que tem uma mãe, ela disse que é uma personagem forte, terá traços psicológicos, com o drama… Marina tem escrito textos fortes e que tem uma tragédia ou um drama, um sofrimento…

Príncia relatou sobre uma experiência de ouvir um texto em que a verossimilhança é bem presente e que gostou muito deste tipo de trabalho com o texto. Em seu processo de criação fazia a transcrição do que observava ou deixava a história vir e tomar corpo no papel para depois ler e reler para mexer no texto. Disse que criava naturalmente as histórias e depois fazia a reunião. Buscou escrever sobre como ser livre e sobre a mulher e seu auto-desenvolvimento, sobre a mulher livre, usando linguagem para uma alma feminina. Falou que pensa na protagonista e no que ela influencia nos demais personagens. Deseja aprofundar na criação de uma personagem que anti-heroína para falar tudo o que não falamos e desejaríamos falar.

Isadora considerou interessante o uso do texto para a oralidade, para a apresentação e tem escrito textos narrativos. Disse desenvolver uma personagem à medida que a história se desenrolava, definiu ser uma criança de dez anos, fica em casa, um apartamento, os pais saem e deixam a criança sozinha pela primeira vez. Disse que foi utilizando a técnica da escaleta depois de ter criado a história para definir mais a personagem.

Patrícia Duarte falou que fez um esboço para iniciar sua escrita e definições de personagens e formar o conto que desenvolve. Mencionou ser ambientado em um bar, sem saber se a personagem principal falará ou escutará histórias. Não sabia se o texto aconteceria em um dia só, se seria um casal, não definiu muito os personagens com nomes. Gostava de textos românticos.

Reforçamos a necessidade de leituras para nos ajudar a ampliar nosso campo de conhecimento de mundos e possibilidades de explorar elementos para trazer para o texto quando estamos exercitando. Percebemos que os participantes já têm uma formação de estilo em andamento.

Mara trouxe quatro exemplares de um livro de sua autoria para sorteio, os ganhadores foram: Patrícia Peccin, Marcelo, Marina e Patrícia Duarte.

Todos os participantes tinham que para tudo e iniciar um exercício de escrita simples, que o Coordenador conheceu como “Esqueleto Torto”. Escreve-se uma frase qualquer, o que vem à mente e, na sequência, dobra-se o papel para que a pessoa ao lado não leia, o próximo escreve uma frase que vem à mente, dobra e passa adiante, e assim segue-se a prática até o último participante escrever. O texto final é uma junção de pessoas, mentes, frases e conecta-se ou não. Pode-se ler de cima para baixo e depois debaixo para cima.

 

Tá tudo tão torto

Jacaré no meio do caminho

O amor a derrubou, arranhou seu coração

Corre que o tempo não passa, voa

Chega mais!

Terça-Feira, dia de gato malhado molhado sair à rua pra encontrar os amigos de asas arroxeadas

Seus olhos eram verdes como o mar

Na laje de Alice o cristo brilha feito estrela

 

Despedimos-nos e partimos cada um para sua casa. No encontro seguinte, o comando da Oficina fica por conta da Ana Esther Balbão Pithan.

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Da esquerda para a direita: Patti Peccin, Marina, Príncia, Isadora, Marcelo, Patrícia Duarte e Mara Paulina.

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Da esquerda para a direita: Evandro, Patti Peccin, Marina e Príncia.

 

Participantes e convidados:

Evandro Jair Duarte – Coordenador

Mara Paulina Arruda

Patrícia Núbia Duarte

Príncia Béli Teixeira

Isadora Diniz dos Santos

Marcelo Luiz Aguiar

Patricia Peccin

Marina Hadlich Uliano de Souza

 

 

 

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