Arquivo do mês: agosto 2016

Encontro 11 – Encontro com a Escritora Ana Esther Balbão Pithan

RELATO DA OFICINA LITERÁRIA BOCA DE LEÃO

16 DE AGOSTO DE 2016

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Arte: Lucas Prisco Puga

 

Encontro com a Escritora Ana Esther Balbão Pithan. Enquanto todos se dirigiam para a Biblioteca Pública, os participantes conversavam e trocavam ideias sobre histórias e seus escritos. O Coordenador da Oficina iniciou a conversa com a discussão do Conto de Guy de Maupassant intitulado AS JÓIAS. A palavra foi dada aos participantes para que pudessem dar suas impressões sobre o texto.

Príncia disse que gostou da linearidade que o texto segue, depois surge uma situação de preconceito, mas que apesar disso, o personagem fica tranqüilo e o final não é lógico. Gostou do perfil psicológico da mulher.

Mara falou que o autor trabalha o texto o tempo todo sem “dizer”, o que considerou magnífico no autor, a condução dos personagens e a história sem dizer de onde vêm as jóias, deixando em aberto isso. Mara lembrou-nos do período do conto, os costumes e os usos da época em que foi escrito.

Patrícia Duarte comentou que precisou ler novamente para buscar entender de onde vinham as jóias.

Evandro narra, resumidamente, a história para todos. O conto deixa aberto para a participação do leitor na construção subjetiva da história.

Todos discutem os personagens e dão seus “pitacos”.

 

Ana Esther Balbão Pithan inicia sua fala disse que iria ler um conto que tem ligação com a história lida de Guy de Maupassant. Mas, deixaria para o final. Disse que gostaria de nos dar uma tarefa para desenvolver na Oficina. Apresentou-se e agradeceu a divulgação de sua ida até à Biblioteca Pública de Santa Catarina.

Ana passou para cada participante um questionário com três perguntas para ser preenchido rapidamente, sem muito pensar. Cada um deveria colocar o nome no papel para identificar as respostas. Quem terminava de preencher já entregava para Ana.

Ela se apresentou novamente e disse que o Coordenador a convidou para falar sobre contos. Ela disse:

“Eu, gente, com esse sotaque que vocês percebem, eu sou gaúcha, mas eu moro aqui há 25 anos, então, eu sou ‘Catarucha”, já”.

Falou isso, por ser algo que influenciou no que Ana escreve. O fato de ter morado em vários lugares e suas viagens acaba por influenciar na produção. Falou que até mesmo em questões existenciais e morais.

Ana sempre espirituosa nos disse o seguinte:

“Se eu sou gaúcha e escrevo só sobre Santa Catarina, aí o pessoal lá no Rio Grande do Sul me trucida! Né? Se eu moro aqui e escrevo sobre Porto Alegre ou outro lugar lá no Rio Grande do Sul também! Então essas coisas ficam na cabeça da gente! Se tu és brasileira e escreve só sobre as viagens que fez lá fora, o brasileiro aqui fala: ah! Que falta de patriotismo! Mas, também, desperdiçar toda essa experiência que a gente teve lá fora e dizer não, eu não vou escrever por que as pessoas vão dizer… aí não tem a visão do brasileiro sobre o exterior. Então, eu tive que chegar, assim, após muito pensar e filosofar sobre o meu propósito como escritora, eu tive que chegar num ponto e dizer: ah, eu vou escrever aquilo que eu gosto, que eu quero, aquilo que me interessa, aquilo que eu acho que o leitor não vai se ofender. Eu não gostaria disso, né, de ofender leitores, mas então, eu escrevo sobre aquilo que eu gosto! Eu tenho um lema, gente! A minha vontade como escritora é de levar inspirações para o bem pras pessoas, porque eu acho assim, que hoje em dia tem um problema grande de tédio! Vocês não acham? Eu acho que tem muita gente entediada. Temos muito acesso à informação. A gente vê tudo, de todos os lugares, no mesmo momento que aquilo está acontecendo, isso acaba com o suspense, acaba a expectativa, fica tudo rapidamente entediante, pra muita gente é claro. Claro que isso não é regra geral. Mas, é um propósito meu, propósito é uma coisa, conseguir é outra. Discurso também né? Às vezes, a gente imagina uma coisa, escreve com o propósito na cabeça, vai olhar o discurso e detonou com a tua intenção. É um problema grande, se a gente se propõe escrever com alguma intenção, tem que ver se o discurso corresponde. Mas, eu quero contar que a professora Marilda, da UFSC, que trabalha também com o NETI, está escrevendo sobre um livro meu, A Cidade dos Polvos, estou realizando um sonho, fiquei feliz para saber o que andam pensando sobre meus livros. Começar do início, dos meus livros, eu sempre quis escrever, tanto que este livro “A Cidade dos Polvos”, eu escrevi aos 12 anos de idade, escrevi e ficou lá na gaveta é claro, tinha muitos erros ortográficos, coitada daquela criança, mas a ideia era genial!!! E aí, então, ficou guardadinho por lá. E eu sempre quis ser escritora, mas eu não tinha aquela confiança olímpica que a gente tem hoje, eu achava: eu vou morrer de fome! Brasileiro não é escritora! Aqueles pensamentos assim, lá das épocas, não posso dizer que anos, pra não revelar a idade, lá na época dos militares, no finalzinho, ainda tinha resquício, em que tudo é trágico… então aquilo contamina a gente, ao ponto de cortar a minha carreira de escritora naquela época… eu desisti de não acreditar… não foi fácil, mas aconteceu, resolvi apostar naquilo que eu sempre quis: virar escritora. Isso aconteceu assistindo à televisão, a Leda Nagle entrevistava uma dramaturga que escreveu uma peça que levou quatro anos. Pensei: Meu Deus, quatro anos, se eu tivesse um projeto assim, que me atraísse tanto, por tanto tempo, que maravilha!!! Quer dizer que a gente, realmente, gosta daquilo, ao ponto de se dedicar tanto tempo. Pensei que eu tinha que fazer alguma coisa na escrita e aí veio a inspiração para o projeto de longo prazo, escrever um livro que fosse diferente, daí eu tive uma ideia, vou escrever um questionário e entregá-lo para amigos e parentes, aí as pessoas respondem e me devolvem em um ano, em 2012, aí em 2013 eu me propus a escrever um conto usando as respostas. Mas, como vocês podem imaginar, cada elemento eu sabia onde seria encaixado no meu conto, mas os respondentes não… [mostrou o questionário no livro], eu me forcei a colocar os seis elementos no meu conto: protagonista, um personagem importante, um local, uma época, um evento … como as pessoas não sabiam do meu propósito, teve gente que colocou o papa, a Madre Teresa de Calcutá, teve gente que colocou uma data lá, 1500, 2500 … isso me forçou a escrever vários contos diferentes: policiais, ficção científica, imaginação, fantástico, pois tinham muitos bichos… então, gente, aqui tem de tudo… uma salada assim, pra mim foi muito bom, uma oficina literária… coloque no título: TERAPIA OCUPACIONAL: CONTOS… estou eu em casa, tranqüila, toca o telefone e uma moça começa a falar do meu livro. Eu fiquei assim: Aí que maravilha! Os fãs estão telefonando! – daí ela disse assim: Terapia Ocupacional? Eu sou terapeuta ocupacional, eu vou te processar!… Gente! Ninguém me leu e já querem me processar! Então, olha só, daí eu tive que conversar. Então, o que me salvou foi isso, contos no subtítulo. Mas, ela também implicou com a apresentação que fizeram, porque disseram que era um ótimo livro, que ao invés de fazer terapia podiam ler o meu livro!!! Rsrsrsrs. E que era mais barato. Comecei bem né?? Então, o primeiro livro já… rsrsrs … comecei bem… Bom, seguindo, então, me convenci de escrever… em princípio era pra ser uma brincadeira, era para fazer xerox e dar para os amigos. Mas, daí a minha mãe, matrocínio […] ficou encantada […] disse: vou ter dar de presente! Aí eu pensei: já que eu ganhei de presente, eu vou dar! Então, tinha filas aqui na feira do livro, aí fui pra Porto Alegre na feira do livro lá e tinha amigos e família, tinha filas enormes e todos ficavam olhando. Não sabiam que o livro era dado, né! rsrsrs … Isso me encorajou, as pessoas começaram a ler e a dizer que tava ótimo, e eu acreditei!!! Aí doei um livro pra biblioteca. Olha meu primeiro livro! Doei o livro pra biblioteca”.

Ana sempre muito divertida nos falou de seu envolvimento com o livro e com a escrita, falou sobre seu trajeto de escritora. Continuou compartilhando suas experiências. Vejamos:

“Me esqueci de contar pra vocês, que eu fiz letras na UFRGS, me formei como tradutora de inglês. Depois fiz a complementação pedagógica, pra lecionar, mas não era isso que eu queria sabe, eu gostava era da escrita. Mas eu fui. Mas, daí eu tive oportunidade, fui estudar na Inglaterra, fiquei um ano por lá estudando inglês, aí, depois, passou um tempão, comecei a lecionar e tudo, mas eu vi que não era bem meu caminho. Aí dei um jeito de estudar de novo e fui lá pra Austrália. Tenho no Blog as minhas crônicas […], com isso veio um outro livro: A Mochileira Tupiniquim: nas trilhas da Nova Caledônia, que é uma narrativa de viagem, meu único livro em que tudo é verdadeiro, podem acreditar, botar a mão no fogo! Posso ter omitido fatos, mas não mentido, tudo que tem aqui é verdade! É sobre a Nova Caledônia, uma arquipélago francês perto da Austrália, tem toda a história por lá, foram dez dias de passeio e tudo. Aí me inspirou, também, anos desse livro, eu comecei a escrever relatos curtos, crônicas sobre a mochileira tupiniquim, daí a personagem sou eu mesma, é uma coisa interessante, eu virei personagem, né? que é mesmo estranho, escrever um personagem que é a gente e não se meter em fria. Depois deste livro, eu fiquei em dúvida, vou escrever uma novela, é uma novela adolescente e se passa em Porto Alegre, aí eu pensei: Meu Deus do Céu!!! Vão falar mal de mim aqui em Floripa, essa gaúcha vem pra cá pra escrever coisa de lá! Mas, depois eu fiquei pensando, mas eu sou de lá né? … eu queria escrever sobre lá porque eu queria escrever sobre o meu período de adolescência… é sobre três adolescentes… A viagem, O concurso e o Vacilo… é uma novela mesmo, eu gosto muito assim, porque ela tem entre outro assunto a gravidez na adolescência, a menina de 14 anos fica grávida, aí vem a reação dos pais da menina, dos amigos, do namorado […]. Inspirações!!! […] Eu também li muito gibi, meu personagem favorito é Tio Patinhas […], então, quando eu tive oportunidade, eu fiz aqui no SENAC um curso de animação básica. Mas básica, básica, assim! Então fizemos um filmezinho: O Susto da Cremilda, com a técnica de stop motion e eu fiz a Boneca Cremilda… umas 800 fotos deu um minuto de filme, aí vocês vão ter uma oportunidade maravilhosa de ver o filme, né Evandro? Não pisquem senão acaba o filme! [Passamos o filme]. Este foi o vídeo que todos tinham que fazer […]. Olhando as fotografias nos computador eu disse: Meu Deus! Isso dá um livro! O Susto da Cremilda! Daí virou o livro, que chic, todo mundo transforma o livro em filme, eu transformei o filme em livro. Então ta! Ah, não contente com o Susto da Cremilda, eu achei que esta personagem merecia ir além, dessa fronteira aqui, aí fiz a Cremilda Ecológica, a segunda aventura, e tem uma terceira, só que a terceira ainda não virou livro, mas já está pronta. É bilíngüe, o revisor do texto, eu escrevi o texto em inglês, o revisor do texto inglês é o inglês Australiano… Esse da Cremilda Ecológica é sobre um urubu… com essas inspirações, essa história de branco do escritor, comigo não funciona… ainda não ocorreu. Bom, antes de chegar naquela parte que eu falei que tinha a ver com vocês, […] tem outro livro […]. Esqueci de comentar, eu fiz o mestrado sobre a Mary Shelley, escrevi sobre Frankenstein, daí dá pra ver o meu amor por temas da literatura gótica do Século XIX, aqui na UFSC que eu fiz. Aí a gente escreve a dissertação em inglês, aí pensei: se eu posso escrever uma dissertação em inglês, eu posso escrever um livro […], pra mim, me deu muita confiança […]. Esses até a Cremilda, gente, esses livros foram publicados antes do advento da nova ortografia, então, depois da Nova Ortografia eu escrevi outros livros […]. O primeiro livro foi com a editora “De Letras”, só que depois, daí eu comecei a procurar, muito difícil, algo que vocês já devem saber, mas eu disse: não vou desistir!!! Aí resolvi me inscrever e fazer o meu registro na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Então eu tenho registro como Editora-Autora. Mas, eu só posso publicar os meus próprios livros […]. Tem ISBN e os registros todos […] Esses quatro livros aqui, já são com a nova ortografia. CADÊ CAGU, gente! Lembra da Mochileira Tupiniquim: nas trilhas da Nova Caledônia? Esse livro, eu realizei o meu sonho de fã de Ágatha Christie, de Sherlock Holmes, de criar o meu próprio detetive!!! Um detetive brasileiro!!! Eu queria isso assim, aí consegui, finalmente, fazer uma dupla de detetives, só que ele é gaúcho, pra não detonar com o sotaque manezinho, senão vou fazer isso, porque eu não tenho condições, mesmo morando aqui há muito tempo eu não ia conseguir. Então a linguagem é do catarucho, que mora aqui em Florianópolis, que é um personagem, vocês hão de convir ou concordar comigo que o gaúcho que mora em Floripa é um personagem, tem um montão por aí. A gente faz e aconteceeee!!! Então, aqui está: o catarucho, uma família catarucha que mora aqui em Florianópolis e aí vão lá pra Nova Caledônia, mas acontece um mistério lá, sumiu o Cagú, é um pássaro que só existe lá. E o menino, então, o sonho da vida dele, imagina que menino original, o sonho da vida dele, o que inspirava ele, aí vem minhas inspirações para o bem, o que inspirava o menino era conhecer, porque ele sabia que ia fazer a viagem, ele começou a se inspirar para a viagem, era conhecer o pássaro, o Cagú, que só existia lá, imagina, né. Então, eles vão pra lá, quando eles vão visitar o pássaro Cagú, sumiu. E aí vem a criação do personagem, o detetive, e que eu já escrevi o segundo, a segunda aventura, que vai acontecer […] aqui em Florianópolis. O detetive que faz a dupla, que é o menino e um policial da Nova Caledônia, faz uma dupla, moderna, porque hoje não precisa mais morar no mesmo lugar pra ser uma dupla. Então, eles são uma dupla de detetives, e o detetive lá vai, ter férias, não vou contar muitos detalhes, vem aqui pra Florianópolis e vai ter essa aventura aqui […]. Ah! Quem lembra da CIDADE DOS POLVOS, que eu falei que eu escrevi com 12 anos, não é. O sonho, também, virou realidade, gente!!! Medalha de ouro olímpica!!! Esse livro, pra mim, assim, é o meu xodó, porque eu escrevi com 12 anos na época que eu, assim, ah! Eu vou ser escritora!!! E aí, quando deu pra fazer o livro, é uma sensação de subir no pódio mesmo, porque passou o filme lá dos 12 anos, e eu não fiz assim, com 13 a publicação, levou um pouquinho mais [risos], assim né, umas décadas, depois [risos] eu consegui fazer o livro!!! E ficou uma delícia gente, porque eu amo desenhar, só que aqui eu fiz alguns desenhos né, cada polvo tem o seu desenhinho, o índice tem desenhos […]. Depois, veio este outro: O CARVALHINHO SOLITÁRIO […] é uma história sobre árvores, mas é uma história sobre o acabar com a família inteira do carvalhinho, vai acabar com a genealogia inteira de uma família […] esses desenhos eu fiz um curso no SENAC, de ilustração, […] e eu com essas décadas a mais do que os meus colegas, assim, de quatorze anos, que a mãe deles eram mais moças que eeeeeeu!!! Eu fiquei assim Rrrroxa, mais roxa que o Rei Polvatório, que é o rei, o meu personagem magnânimo, que eu disse, é o Rei Polvatório. Tem aqui um desenho do Rei Polvatório, ele é um rei mais magnânimo dos magnânimos. Então, e o mais recente, publicado, é LENDO NAS ENTRELINHAS, esse é um romance de bruxas, mas não as nossas bruxas daqui […], então eu escrevi sobre outras bruxas, bruxas comum de Halloween. Começa dia 31 de outubro, esse romance, é um romance gente, só que é um romance de suspense, tem muita meleca no meio, mas tem uma charada literária. Então, quem gosta de literatura e quem já teve a oportunidade de ler a minha dissertação [risos], é muita gente [risos]!!! Tem muito a ver com a minha dissertação. Eu coloco no livro, assim, Drácula, o Frankenstein, sabe que é um livro de bruxas, assim, então tem essa charada literária lá para o leitor tentar resolver junto com os personagens. Só que este livro aqui eu pensei em fazer uma trilogia. Só que eu resolvi fazer bem fechadinho o livro, porque se a trilogia não sair, pelo menos não detona com o livro [risos]. Mas, o leitor percebe que tem possibilidade de, né, ou não!!! Mas, fica aquela ideia no ar. Mas, é um livro fechadinho, resolvi o caso, mas com aquela abertura pro próximo. São personagens deliciosos, eu amo, o que eu escrevo. Não diminuo. Eu sou apaixonada, chorei, choro quando eu acabo de escrever, assim de emoção!!! Eu vejo as coisas… nesse aqui gente, do Cadê Cagú, eu pensei num Detetive pra fazer a dupla com o Didi que é o guri que vai pra lá [Nova Caledônia], então tem o Apollon Savant, que era fã da Ágatha Christie e aí, por isso, que ele virou detetive lá. Neste livro era só este detetive e ele tinha um informante na biblioteca! Mas, eu criei este informante, a Mademoiselle Georgette, e ela é linda, maravilhosa, com cabelos ruivos, olhos verdes exuberantérrima!!! Como que eu ia resistir e não deixar o Apollon Savant e ela se apaixonarem né? Ela é apaixonadérrima por ele!!! E o resto eu não sei [risos]. O personagem era para ser um ponta e virou protagonista. Então, essas coisas são maravilhosas, eu não sei explicar como é que aquele personagem que surge ali vai tomando conta, vai te apaixonando pelo personagem.

Ana falou sobre o seu e-book: Brilhos no Abismo. Não tem ele impresso, só digital mesmo. Mostrou a capa que ela desenhou, inspirada em uma revista sobre monstros abissais que vivem no fundo do oceano. O livro é a história de um livro fofinho e ao mesmo tempo é terrível.

Ela disse que foi convidada pelo Curso de Comunicação de uma universidade do Rio Grande do Sul para participar de um evento sobre edição de livros, suas experiências enquanto editora. Sobre isso Ana, divertidamente, nos compartilhou o seguinte:

“Viram o meu blog, que eu editava livros meus, entraram em contato comigo, pra eu participar de um congresso lá, um seminário sobre edição de livros e tudo e, gente, de novo, me senti assim hollywoodiana! Eu que nem sou lida, quase fui processada, ainda fui convidada para ir falar não sobre os meus livros exatamente, mas sobre o fato de editar os meus livros, mas fiquei super contente, porque fui pra lá com as despesas pagas!!! Que no Brasil é uma coisa assim, só escritores, né, eu pelo menos imaginei isso, ou então pra professores né de universidade tem esses intercâmbios, agora eu ali, uma simples editora do meu próprio livro [risos], me bancaram de ir lá falar sobre esse trabalho. Então eu achei aquilo o máximo!!! Tem luz no fim do túnel!!!

Ela nos mostrou o artigo que saiu na revista dessa experiência. Confidenciou que vai ilustrar um livro de uma amiga.

“Gente! Até ilustração! E eu recebi dinheiro!!! [Risos]. Sim, tem que contar esses fatos, se paga pra fazer isso”.

Falou que participou de um concurso de contos de humor de Piracicaba com no máximo até 100 caracteres (contando tudo, ponto, espaço, vírgula, tudo) e escreveu o seguinte conto:

Quebrante

O bem-te-vi jogou mal olhado no Pirarucu, o rio azedou, o peixe revidou, jogou olho gordo na ave e o resultado? Azia e chuva ácida!

 

Disse que o pessoal leu e gostou do texto.

Ana comentou que participou de várias antologias e escreve em seu blog, link: www.pelicanaestherblogspot.com.br

Ana gosta de desenhar e nos mostrou seus desenhos. Também se envolve em construir personagens de bonecos.

A convidada fez a leitura de seu conto OS AMULETOS MISTERIOSOS.

Para finalizar, Ana distribuiu o questionário já preenchido para pessoas diferentes das que preencheram, o desafio era montar um esboço da ideia do conto envolvendo os elementos que estavam ali escritos.

Questionário inspirador:

1 – Quem você convidaria para ir numa excursão? – Protagonista do texto.

2 – Onde gostaria de passear num domingo de outono? – Local de ação do conto.

3 – Que profissão você jamais escolheria? – Personagem secundário.

Fica aí a dica para brincar de escrever.

Na sequência, os participantes esboçaram o protagonista, o local e o secundário do conto deles.

O encontrou foi encerrado e todos tinham dever de casa.

E SAÍMOS NA MÍDIA !

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Participantes e convidados:

Evandro Jair Duarte – Coordenador

Ana Esther Balbão Pithan

Caroline Paim Müller

Príncia Béli Teixeira

Marcelo Luiz Aguiar

Isadora Diniz dos Santos

Mara Paulina Arruda

Marilda A. Oliveira Effiting

Lílian Barreto Manara

Augusto de Abreu

Patrícia Núbia Duarte

Marina Hadlich Uliano de Souza

Juciléa Santos

Patricia Peccin

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Encontro 10 – Estudo – Contos

RELATO DA OFICINA LITERÁRIA BOCA DE LEÃO

9 DE AGOSTO DE 2016

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Arte: Lucas Prisco Puga

 

Encontro específico para a Escrita e Análise de Contos produzidos em casa. Assim, deu-se a abertura com a reflexão da forma como cada um constrói o seu personagem, a ambientação para entrar no texto.

Marcelo disse que escreve sem identificação de nome ou característica, pois a característica surge no próprio contexto. Mencionou não apresentar o personagem, ele é descoberto ao longo da história. Quem lê identifica quais são os personagens. Para ele a identificação não é tão necessária se der pistas de qualificação ou traços da personalidade. Ele trabalha com personagens não nominados e que representam vivências universais, em que muitos que o lê identificarão com a história ou personagem. Sobre isto, lembramos da história de O Pequeno Príncipe, ele não tem nome; a Raposa, ele não tem um nome próprio; a Rosa, não é Maria, Rita, Sarah, Stephanie, não, ela é a Rosa. Personagens que são representações do que são sem ter um nome de batismo os representando do texto.

Pati Peccin mencionou que desenvolve um conto sobre histórias que já viu, viveu ou ouviu por aí e que os personagens são: a mulher do feijão, o lenhador, o sapo, a louca da almofada, todos eles sem nome específico. Ela resolveu deixar desta forma. Disse que com a inspiração do livro O ORFANATO DA SRTA. PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES ela teve a ideia de escrever um conto de fantasia. Visitou Urubici e brincou com a possibilidade transformar a Pedra Furada em um espaço de ambientação do conto, a área militar pode proteger um mistério, o receptor da abertura da fenda, e outros personagens surgem. Pati brincou de fazer personagens híbridos. Tem anotado frases para ajudar na construção dos textos de contos a surgir. Um exemplo era: “ela era tão pobre que até os zeros caíam no chão”.

Mara Paulino disse ter ido ao Museu do Érico Veríssimo e presenciou a forma como ele escrevia, ele desenhava mapas antes de escrever. Após este desenhar, ele ligava os pontos e fazia a história. Mara menciona no transcorrer das falas dos colegas que quando escrevemos o psicológico sempre está presente no texto. Outra contribuição de Mara foi a de não subjugar os leitores, pois ele está lendo o texto, mas a ficha pode cair depois. Assim, ela considerou ser necessário pesquisar nos mínimos detalhes sobre o que vai escrever. Mara disse que buscava transcrever seus relatórios de experiências em mini contos. Falou que traz para o texto a linguagem das pessoas do local onde vive, tem muito do cotidiano em seus textos. Escrevia muito com personagem em terceira pessoa. Gostava de escrever contos que nem sempre tem final feliz. Contou que é formada em Artes Visuais e História e coloca suas experiências de formação no que escreve.

Marina falou que tudo o que escreve não segue muito bem a técnica da escaleta ou dentro de uma estrutura de técnicas. Quando redige um texto em que tem uma mãe, ela disse que é uma personagem forte, terá traços psicológicos, com o drama… Marina tem escrito textos fortes e que tem uma tragédia ou um drama, um sofrimento…

Príncia relatou sobre uma experiência de ouvir um texto em que a verossimilhança é bem presente e que gostou muito deste tipo de trabalho com o texto. Em seu processo de criação fazia a transcrição do que observava ou deixava a história vir e tomar corpo no papel para depois ler e reler para mexer no texto. Disse que criava naturalmente as histórias e depois fazia a reunião. Buscou escrever sobre como ser livre e sobre a mulher e seu auto-desenvolvimento, sobre a mulher livre, usando linguagem para uma alma feminina. Falou que pensa na protagonista e no que ela influencia nos demais personagens. Deseja aprofundar na criação de uma personagem que anti-heroína para falar tudo o que não falamos e desejaríamos falar.

Isadora considerou interessante o uso do texto para a oralidade, para a apresentação e tem escrito textos narrativos. Disse desenvolver uma personagem à medida que a história se desenrolava, definiu ser uma criança de dez anos, fica em casa, um apartamento, os pais saem e deixam a criança sozinha pela primeira vez. Disse que foi utilizando a técnica da escaleta depois de ter criado a história para definir mais a personagem.

Patrícia Duarte falou que fez um esboço para iniciar sua escrita e definições de personagens e formar o conto que desenvolve. Mencionou ser ambientado em um bar, sem saber se a personagem principal falará ou escutará histórias. Não sabia se o texto aconteceria em um dia só, se seria um casal, não definiu muito os personagens com nomes. Gostava de textos românticos.

Reforçamos a necessidade de leituras para nos ajudar a ampliar nosso campo de conhecimento de mundos e possibilidades de explorar elementos para trazer para o texto quando estamos exercitando. Percebemos que os participantes já têm uma formação de estilo em andamento.

Mara trouxe quatro exemplares de um livro de sua autoria para sorteio, os ganhadores foram: Patrícia Peccin, Marcelo, Marina e Patrícia Duarte.

Todos os participantes tinham que para tudo e iniciar um exercício de escrita simples, que o Coordenador conheceu como “Esqueleto Torto”. Escreve-se uma frase qualquer, o que vem à mente e, na sequência, dobra-se o papel para que a pessoa ao lado não leia, o próximo escreve uma frase que vem à mente, dobra e passa adiante, e assim segue-se a prática até o último participante escrever. O texto final é uma junção de pessoas, mentes, frases e conecta-se ou não. Pode-se ler de cima para baixo e depois debaixo para cima.

 

Tá tudo tão torto

Jacaré no meio do caminho

O amor a derrubou, arranhou seu coração

Corre que o tempo não passa, voa

Chega mais!

Terça-Feira, dia de gato malhado molhado sair à rua pra encontrar os amigos de asas arroxeadas

Seus olhos eram verdes como o mar

Na laje de Alice o cristo brilha feito estrela

 

Despedimos-nos e partimos cada um para sua casa. No encontro seguinte, o comando da Oficina fica por conta da Ana Esther Balbão Pithan.

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Da esquerda para a direita: Patti Peccin, Marina, Príncia, Isadora, Marcelo, Patrícia Duarte e Mara Paulina.

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Da esquerda para a direita: Evandro, Patti Peccin, Marina e Príncia.

 

Participantes e convidados:

Evandro Jair Duarte – Coordenador

Mara Paulina Arruda

Patrícia Núbia Duarte

Príncia Béli Teixeira

Isadora Diniz dos Santos

Marcelo Luiz Aguiar

Patricia Peccin

Marina Hadlich Uliano de Souza

 

 

 

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