Encontro 6 – Encontro com a Escritora Kátia Rebello

RELATO DA OFICINA LITERÁRIA BOCA DE LEÃO

14 DE JUNHO DE 2016

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Encontro com a escritora Kátia Rebello

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Natural e moradora de Florianópolis, Kátia é graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. É especialista em Educação e Desenvolvimento Humano pela. Universidade do Sul do Estado de Santa Catarina – UNISUL. Realizou Pós-graduação na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC concluindo o Mestrado em Letras – Literatura e o Doutorado em Letras – Literatura na mesma instituição de ensino superior.

 

Os Encontros da Oficina acontecem no Auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina das 19h às 21h, a cada 15 dias. Veja agenda abaixo:

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Contato – Evandro Jair Duarte (48) 36656429 ou 36656431

E-mail: evandroduarte@fcc.sc.gov.br ou dujaev@gmail.com

Kátia Rebello inicia o encontro e agradece o convite. Esclare que fez Biblioteconomia por e gostar de livros, em suas práticas sempre procurou deixar as estantes de literatura em ordem.

Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por convite do professor Alcides Buss, ela participa do Varal Literário da UFSC, evento que ficou exposto nos espaços da UFSC, Praça 15 de Novembro e outros espaços de Florianópolis. A escritora faz a leitura de seu conto integrante na Antologia.

Antologia do Varal Literário. Florianópolis: Editora da UFSC, 1983. P. 12-13. (poesias).

Menciona gostar e assistir muitos filmes e ter DVDs em casa, principalmente de suspense. Percebemos aí um envolvimento com o mistério e o gosto pelo estilo. Fala-nos que desejava escreve textos misteriosos.

“Quero escrever uma história assim, aquelas que no final arrebata o leitor”!

Kátia escreve o livro A CASA DA PRAIA no ano de 1984 aproximadamente e fica sabendo que iria acontecer uma premiação pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), o Prêmio Virgílio Várzea de Literatura, faz a inscrição e ganha. Assim, o livro é publicado pela FCC e recebe uma quantia em dinheiro da mesma instituição. Esta é a sua estreia na escrita como autora de livro.

A casa da praia. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1991. 84 p. (Prêmio Nacional de Romance Virgílio Várzea 1988).

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Na sequência, Kátia fala que foi bibliotecária no Clube 6 de janeiro durante 7 anos e um dia vai ao centro de Florianópolis com o original de seu novo livro: Homicídio em Dó Maior. Sua intenção é procurar uma editora para publicar, vai em uma e não consegue conversar com os proprietários, vai em outra e consegue dialogar com o dono da editora Papa Livros e publica o seu segundo livro.

Homicídio em Dó Maior. Florianópolis: Editora Papa-livro, 1996. 80 p. (romance).


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Com o incentivo da editora Papa Livros escreve o terceiro livro: Coincidência! Continua no clima de suspense, mistério com narradoras mulheres e narrado em primeira pessoa. Diz gostar mais de escrever em primeira pessoa e considera natural esta técnica. Comenta descrever a narradora, como ela é, quando é necessário para a história. Kátia nos informa que gosta de envolver música, mistério, teatro … em suas histórias. Fala que gosta de ouvir músicas tranquilas enquanto escreve (jazz, por exemplo).

Coincidência! Florianópolis: Editora Papa-livro, 1999. 200 p. (romance).

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O quarto livro “Em nome da arte” foi de pouca tiragem e artesanal. Ela está em conversa com a editora para reeditar esta obra. Ambientado em um colégio, com professores de arte e há um crime.

Em nome da arte. Florianópolis: Editora Papa-livro, 2000. 94 p. (romance).

 Sobre o quinto livro “Olhos de vidro”, Kátia diz que a capa é uma pintura realista de artista local. Quando as pessoas perguntam de onde “tira” as ideias, ela declara que anota ideias, reportagens de televisão ou jornais, de histórias escutadas aqui e ali. Esclarece anotar em papel e coloca em uma pasta chamada “ideias avulsas”. Depois junta e forma o texto, só senta no computador para digitar depois que tudo está anotado, o esqueleto todo anotado. Somente quando já sabe o final da história é que inicia o processo da escrita do romance. Este é o método de Kátia. Depois ela junta os papeis e desenvolve o roteiro do romance policial, agrupa os diálogos e digita tudo com todos os detalhes. Mesmo seguindo o seu método próprio, ela diz que é sofrido e trabalhoso voltar para a escrita do texto. Ela cita Lygia Fagundes Telles, que diz: “Tem que escrever enquanto está quentinho”!

Kátia revela que está escrevendo um novo romance: O terceiro ingrediente. Romance ambientado em uma cidade do interior, a personagem principal é uma confeiteira… não posso falar muito mais do que ela revelou sobre esta história.

Um participante pergunta a Kátia se já aconteceu de ela sentir que perdeu o controle e os personagens tomaram conta. Alguém diz que tem dias que os personagens começam a falar com o escritor e é preciso escrever o que eles dizem. Outra pessoa pergunta o que ela faz quando no meio da noite o texto vem. Pois se não anotar na hora pode esquecer. Às vezes vem um capítulo inteiro. Nesse momento todos parecem já ter passado por isso, todos falaram ao mesmo tempo comentando o que já aconteceu com cada um. Outra participante fala que gravou e em casa transcreveu. Outra pessoa diz que muitos textos vêm prontos em detalhes. Kátia afirma que já aconteceu com ela e algumas vezes não anotou e esqueceu e não recuperou mais da forma como veio a ela. Fala que é importante ter um bloquinho perto para anotar.

Segundo Kátia: “Raquel de Queiroz dizia: para ter muito cuidado com o que a gente cria, por que senão os personagens tomam conta”.

Revela que: “Lausimar Lauss dizia que quando escreveu o livro ‘O guarda-roupa alemão’ sentia a presença do personagem, sentia o cheiro dele, ela via a cor da camisa dele, ele chacoalhava ela, ele queria que ela escrevesse a história”. Kátia que isso é muito intenso e quem escreve sabe como é isso.

Sobre essa força do personagem, Kátia diz que em seu romance “Até que a morte os separe” a ser lançado no final do no ano de 2016, um personagem que é professor falou algo para a personagem principal que a autora não sabia, mas o personagem sabia.

Olhos de Vidro. Florianópolis: Editora Papa-livro, 2001. 120 p. (romance).

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O sexto livro “Por falar em fantasma” é ambientado em uma escola, a personagem é formada em pedagogia e que ser professora, ela consegue uma vaga em um colégio como secretária até que um dia a bibliotecária decide não mais ficar na biblioteca à noite e surge uma oportunidade para um trabalho extra. Na biblioteca o mistério se desenrola.

 

 Por falar em fantasma… Florianópolis: Editora Papa-livro, 2005. 200 p. (romance).

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Seguindo em sua fala, Kátia revela que depois de trabalhar como bibliotecária no Clube 6 por 7 anos e trabalhar no Colégio Coração de Jesus mais uns 2 anos na biblioteca, ela volta a estudar e faz especialização em Educação e Desenvolvimento Humano pela Unisul, nas dependências do Colégio Coração de Jesus mesmo. Por motivação do professor que a orientou na especialização, ela decide a voltar a estudar e vai parar no mestrado e emendando seus estudos entrou para o doutorado em Literatura na UFSC, sob a orientação do professor Lauro Junkes. Como tese do doutorado escreveu um romance e como teoria o diário de produção do romance e assim surgiu o sétimo livro “O silêncio do olhar”. O professor Celestino Sachet foi da banca de doutorado e contribuiu com a escolha do título do livro. Kátia fala que os primeiros leitores de sua obra foram os membros da banca de defesa da tese.

Fala de Kátia: “Quando a gente escreve, a gente não pode escrever só pra gente, a gente tem que imaginar o leitor né, a gente tem que imaginar quem vai atingir, qual público vai atingir, o que o leitor vai pensar na hora que tiver lendo aquilo, a gente escreve pro leitor, afinal de contas a gente que ser lido, todo escritor quer ser lido, a gente quer que o público leia e entenda”.

Usa muita poesia, muita linguagem poética para descrever a praia, Praia das Gaivotas. A personagem é uma moça que trabalha em uma perfumaria e tem um namorado que escreve poesia, mas não consegue se declarar para ela. Ele tem um amigo poeta que mora longe, na Praia das Gaivotas, ele incentiva o jovem a escrever um livro. A moça resolve ir conhecer este poeta e faz descobertas interessantes.

Isadora Diniz é uma das participantes da Oficina e o coordenador emprestou o seu livro “O silêncio do olhar” para que fosse lido antes da vinda de Kátia. Ela tem a oportunidade de dialogar com a escritora e tirar dúvidas ou contribuir com lembranças de trechos. Isadora declara: Eu trabalhei em loja de perfume e caiu justamente este livro para eu ler”. Kátia diz: “O livro procura a gente né”?

Maria de Lourdes Krieger diz que é preciso cuidar para não escrever como se fala. Pois, falar é uma coisa e escrever é outra.

Afirma que este livro foi mais trabalhado por causa do doutorado, diz ter prazer em ler trechos por ser um livro muito trabalhado para ser criado. Fala que leu muito sobre estilo e estrutura literária, além das teorias. Kátia fala ser importante ler outros autores para ver como eles escrevem. Mas, cuidado para não ser muito crítico e não aproveitar mais a história.

Um participante diz ser importante a leitura de Machado de Assis e Edgar Allan Poe. Kátia diz que gosta muito de Machado. As interações entre os participantes começam e as declarações de paixão e espanto ao ver que pessoas não têm tanto interesse nos cânones brasileiros.

O silêncio do olhar. Florianópolis: Editora Papa-livro, 2011. 178p. (romance).

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 Seguindo na ministração da noite, Kátia diz ter escrito o oitavo livro “A realidade e a ficção”, ela diz que inova ao começar o romance com um diálogo. Geralmente há um texto situando o leitor para depois vir o diálogo. Menciona ser importante a criatividade na escolha dos capítulos. Professora que vai trabalhar em uma universidade e ao se instalar na casa da antiga professora, morta em um acidente, ela passa a receber um telefonema de uma criança, todas as noites a ligação acontece. Diz ter se inspirado em um seriado chamado Seinfield para criar a história do telefonema.

“Quem tem o olhar, tudo, tudo inspira uma nova história”!

A participante da Oficina que levou o livro “A realidade e a ficção” emprestado do Coordenador para ler em casa, antes da vinda da escritora, faz uma fala: “eu economizava para não acabar o livro”. Patrícia Núbia Duarte diz que a personagem principal do livro é alguém muito bem-humorada, uma professora que fica indignada por ser escritora e os leitores a confundirem com a personagem das histórias. Patrícia diz que fica imaginando Kátia, uma terceira personagem, pois há a professora Isadora, a personagem dela: Isabela e a escritora do livro lido por Patrícia: a Kátia.

Evandro diz que quando leu “Por falar em fantasma…” a personagem principal, para ele, era a escritora, a Kátia.

Kátia diz que quando lançou o livro “Coincidências”! As pessoas a confundiam com a personagem principal e comentavam a história como se fosse algo vivido por Kátia. Ela afirma: “O autor não está no livro”!

Maria de Lourdes Krieger diz: “Não deixa de fazer nada pra escrever. Não deixa nada de lado, aproveita tudo que você tem pra fazer. Não larga nada pra poder escrever”. Para cuidar, pois escrever é um árduo trabalho e pode ou não dar frutos.

A escritora sugere o livro “Cartas a um jovem poeta” de Rainer Maria Rilke. Um diálogo entre o poeta e um aspirante a escritor, travam uma conversa sobre escrita e a importância que ela tem para quem escreve.

Os participantes da Oficina novamente dialogam sobre a escrita e as inspirações, além de refletir sobre o viver de literatura.

A Realidade e a Ficção. Florianópolis: Editora Papa-livro, 2013. 128 p. (romance).


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 Ao falar de seu nono livro “O admirador secreto”, revela que faz parte de duas academias de letras: São José e a Desterrense. Conseguiu recursos junto a Secretaria de Educação e Turismo de São José e conseguiu com a Academia a publicação de livros para os acadêmicos, ocasião em que publicou “O admirador secreto”, diz que foi gostoso escrever. Carol Paim, participante da Oficina está lendo e faz um comentário sobre o livro.

O admirador secreto. Florianópolis: Editora Secco, Fundação Municipal de Cultura e Turismo de São José, 2014. 80 p. (romance).

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Kátia termina sua fala e informa que trouxe dois livros para serem sorteados entre os presentes no Encontro com a Autora. Assim, Katia Maria Costa, bibliotecária da Biblioteca Pública de Brusque ganhou o livro “O Admirador Secreto” e declarou que após leitura fará doação à biblioteca a qual trabalha. O outro livro sorteado foi “Por falar em Fantasma…” que saiu para a Patrícia Peccin.

Todos se despediram e no próximo encontro, dia 28 de junho de 2016 estarão reunidos para socialização dos textos produzidos até então e para iniciar os estudos de Contos. Venha participar você também!

 

Participantes e convidados:

 

Evandro Jair Duarte – Coordenador

Kátia Rebello – Escritora convidada

1 – Aparecida Facioli

2 – Maria Lourdes Blatt Ohira – convidada

3 – Caroline Paim Müller

4 – Evelyn Jeissi da Silva

5 – Patrícia Núbia Duarte

6 – Kátia Maria Costa – convidada

7 – Patricia Peccin

8 – Gilmar Milezzi – convidado

9 – Isadora Diniz dos Santos

10 – Marina H. U. de Souza

 

Texto escrito por Evandro Jair Duarte

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