Encontro 5 – Encontro com a Escritora Norma Bruno

RELATO DA OFICINA LITERÁRIA BOCA DE LEÃO

7  de junho de  2016

LOGO BOCA DE LEÃO JGP(P)

Por causa da greve de cobradores e motorista de ônibus que ocorreu no dia 31 de maio de 2016, data do Encontro da Oficina Literária Boca de Leão – OLBL, não foi possível permanecer com a data marcada e a reunião foi transferida para o dia 7 de junho de 2016 com a participação da Escritora Norma Bruno.

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Link de divulgação do Encontro feita pela FCC:

http://www.fcc.sc.gov.br/bibliotecapublica//pagina/18913/encontrocomaescritoranormabrunonabibliotecapublica

Norma Bruno por Norma Bruno: Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: – Prosa, quase Poesia – ou vice-verso – Tempo Editorial. 2015 – Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 – A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. – Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br . Blog pessoal no link: Blog da autora: https://normabruno.wordpress.com/author/normabruno/

 

A OLBL iniciou com a dinâmica de falar sobre o Livro de Cabeceira, em que cada participante que se considera à vontade para falar menciona a obra que lê. Patrícia Peccin disse que entregou o último livro e já pegou outro, cujo título é:

O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares – Srta. Peregrine Vol 01 – ao autor Ransom Riggs.

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Foto: internet.

Segundo sinopse disponível na internet, o livro trata do seguinte:

Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas. Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares vai deliciar adultos, adolescentes e qualquer um que goste de aventuras sombrias.”

 

Livro de Cabeceira: Em seguida foi dada a palavra para a mais nova integrante do grupo, Eliana Pontes, ela mencionou que tem alguns livros publicados e leu um trecho de seu livro.

 

Livro de Cabeceira: Evandro Jair Duarte é assinante da Experiência TAG e recebeu em casa a caixa com o livro do mês de junho contendo um brinde, uma carta de agradecimento, uma sinopse, uma revista e um livro que é selecionado por um curador. Como o conteúdo da caixa é uma surpresa aos assinantes e o mês corrente ainda pode ter outros membros para a TAG, só os participantes e associados da TAG sabem do que se trata. Evandro levou a caixa para que todos pudessem conhecer o clube de assinaturas de livros literários e da forma como o kit chega e o que contém.

 

Feito o ritual de abertura a palavra ficou com NORMA BRUNO, escritora convidada para falar de crônicas. Ela falou rapidamente das suas três obras. Dessa forma, diz que no primeiro livro A MINHA ALDEIA ela colocou quase todos os seus escritos e eram longos; o segundo CENAS URBANAS E OUTRAS NEM TANTO já cuidou para diminuir o tamanho dos textos; o terceiro PROSA QUASE POESIA: ou vice-verso, disse estar “mais abusada” que não tinha mais tanta vergonha de se expor.

Para se apresentar ao grande grupo ela fez o seguinte, leu a orelha se deu segundo livro. BRUNO, Norma. Cenas urbanas e outras nem tanto. Florianópolis: Bernúncia, 2012. Assim temos o relato de Norma Bruno por Norma Bruno:

Ex-professora do 2º grau, ex-dona-de-casa e mãe em tempo integral, ex-fabricante de bombons artesanais, ex-vendedora de bijouteria, ex-sacoleira de luxo, ex-proprietária de ‘boutique’ (no tempo em que isso era chique), ex-secretária, ex-mestranda, ex-professora universitária. Ex-jornaleira. Graduada em História. Escritora. Blogueira. Declara que sabe lavar, engomar e cozinhar. Faz pães deliciosos; já com bolo não se acerta. Sabia fazer geleias e conservas. Pinta e borda (menos do que gostaria). Faz crochê e tricô. Sabe costurar, especialmente à mão, (faz uma bainha que é uma beleza!). Adoraria falar diversos idiomas, tocar piano e fazer renda, mas tem preguiça de aprender. Dada a epifanias estéticas, inventou uma santa para melhor se proteger, já que o anjo da guarda não estava dando conta. Coleciona rendas de bilro, cenas urbanas e revista antigas. Inventa coisas e histórias”.

 

Norma nos presenteou com uma rica narrativa. A seguir utilizarei das palavras da escritora para descrever sua fala durante o encontro.

 

Ela nos disse que tudo o que está descrito no espaço das orelhas do seu segundo livro é o que ela é. Mencionou não ser ortodoxa em sua forma de ser e escrever. Declara que sua inspiração para a escrita vem de sua Vó de Laguna que na realidade é sua bisavó, mas assim que era chamada. Esta bisa virou borboleta. Uma afirmação que ficou até o último minuto martelando nas cabeças dos que a ouvia. A comprovação de que sua bisavó virou borboleta pode ser feita em seu blog. Por meio do link: https://normabruno.wordpress.com/2012/03/10/minha-bisavo-virou-borboleta/

Essa avó era mágica, afirmou Norma. Viveu de três em três meses nas casas dos netos e bisnetos. Não ficava nas casas das filhas. Em cada casa ela tinha um banquinho. O banquinho da Vó de Laguna, que fumava cigarro, picado com seu canivete, para montar a cigarrilha enquanto os netos chegavam e faziam a roda no chão. E assim alguém pedia: Conta uma história vó?

Vó Laguna contava histórias de príncipes e princesas, madrastas e mãe de princesa que morre. Norma destaca: “Mãe de princesa sempre morre”! – Assim foi que a bisavó conheceu o universo mágico das histórias, ouvindo de alguém para formar o seu próprio repertório.

Norma nos ilustrou a seguinte cena arquetípica: “Era uma mulher velha, com a sua tribo ao redor do fogo, simbolizado pelo cigarro, e a sua tribo, uma noite e ela contando histórias”.

Afirmou que o primeiro contato com o universo mágico da literatura foi através da contação de histórias da bisavó e que este procedimento marcou a sua vida.

Sua outra bisavó foi uma pessoa alegre, feliz, lia muito, gostava de fotonovelas.

Norma disse que “Mulheres de Areia” foi uma fotonovela famosa em sua época. Mas, que não podia ler, era escondida por sua bisa por ter no enredo um beijo. Sobre esta fotonovela e o afamado beijo Norma disse assim: “Ela guardava num armário que ela tinha na sala, a chave, porque eu queria ler, mas não podia porque tinha beijo. Uns beijinhos muito fuleiro. Mas eu não podia ler”.

Declara: “Não tínhamos livros em casa, tínhamos revistas”. “Dia de pagamento era uma beleza” – O pai chegava em casa e todos iam para o centro comprar revistas na Praça 15. Não havia livros, mas a leitura era presente na vida da escritora.

Quando casou e a sua filha teve livro antes de mesmo de saber ler. Na sua casa havia muitos livros. No entanto, disse não ter lido os clássicos universais. Disse ter um projeto de ler alguns livros, mas que tem uma “carrada” de livros na frente para ler e afirmou: “vou morrer sem ler”!

Como as crônicas apareceram na vida de Norma?

Ela diz que começou a escrever porque quem gosta de escrever escreve e pronto. Mencionou que o começo se deu por ter feito uma redação e gostou da experiência. O professor gostou do conteúdo e mostrou para outras pessoas e ela foi elogiada pelo feito.

Disse não gostar muito das regras e das aulas de regras gramaticais – “Tem quem toque piano de ouvir. Eu escrevo de olho”! – Para a autora o aprendizado da escrita é algo orgânico.

Fez outra declaração: “Tenho muita dificuldade com crase, adoro vírgula e adoro ponto de exclamação. Por mim, a maioria das frases teria ponto de exclamação”!

Norma disse que em momentos difíceis escreveu mais. Nos falou que mostrou seus escritos para os donos de uma editora durante uma das edições da Feira de Livro de Florianópolis e assim publicou o seu primeiro livro A MINHA ALDEIA com textos ainda longos.

Aldeia

Foto: Norma Bruno.

Norma disse que com o uso do Twitter aprendeu a escrever textos menores, pois nesta mídia social cabem apenas 140 caracteres. Assim, em seu segundo livro CENAS URBANAS E OUTRAS NEM TANTO construiu textos curtos, com crônicas de uma página só, de um parágrafo só, de uma frase só, de uma linha só. Norma escreve sobre a cultura catarinense, sobre Florianópolis, sobre memórias, sobre o que viveu, sobre “causos”. Escreve sobre o ilhéu, que para ela é um ser épico.

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Foto: Norma Bruno.

Diz que aprendeu a escrever resumidamente como forma de exercício e fugir um pouco do academicismo de anos de experiência profissional. Norma deixou claro que as suas vivências na comunidade ou em família provocaram seus escritos e seu imaginário. Ao falar de seus textos foi possível perceber que ela tem forte ligação com as coisas do cotidiano. Ela disse que não se preocupa em categorizar o que escreve. Alguns textos são que produz são crônicas, outros são prosas, outros são poesias? Ela declarou não saber enquadrar os escritos em um gênero ou categoria. Dessa não classificação nasceu a coletânea de escritos do livro PROSA QUASE POESIA OU VICE-VERSO.

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Foto: Norma Bruno.

 

Norma brilhantemente nos disse:

“Não percam a liberdade de escrever”!

Compartilhou com o Grupo que conheceu os textos do escritor Mia Couto pelo Facebook e ficou fascinada, assim leu muito de suas obras. Disse que ele faz conto, poesia e escreve sobre o que ele vê e viveu ou viu. Norma mencionou que ele escreve maravilhas e brincou dizendo: “Eu fico babando e morrendo de inveja! E não é inveja boa é aquela que leva a gente pro inferno”. Disse ao grupo da Oficina para não negociar a liberdade de escrita por nada, para poder brincar com as palavras.

Outro apontamento de Norma foi que ela pesquisou nos jornais catarinenses sobre o prédio do Miramar para sua dissertação do mestrado em História. Ao retornar suas pesquisas sobre o prédio para agora escrever um romance sobre o Miramar é que conheceu o coordenador da Oficina, Evandro. Livro previsto para ser lançado em 2018, ano em que faz 90 anos de fundação do histórico prédio já demolido.

 

Na sequência a participante da Oficina Isadora Diniz dos Santos leu um texto de sua autoria para apresentar à Norma Bruno que ao final disse: “Muito bom! Olha, não tô falando para agradar! Muito bom!”

 

Com o retorno da palavra para Norma, ela leu o seu texto: A VIDA (FÁCIL) DO CRONISTA de seu livro CENAS URBANAS E OUTRAS NEM TANTO. Na crônica o cronista é:

um sujeito qualquer;

interpreta o que viu;

conta o que viu;

tem o olhar atento;

tem senso de oportunidade;

tem sensibilidade;

percebe as pessoas;

precisa de sorte;

histórias se contam sozinha o tempo todo;

presencia ou não o fato acontecendo.

 

A convidada nos disse que o segredo é olhar e continuou afirmando: “Quando eu digo que eu escrevo de olho, eu escrevo de olho porque eu aprendi escrever lendo, mas eu tô sempre ligada, eu tô sempre ligada nas pessoas e eu escrevo de ouvido, porque eu tô sempre ligada no que ouço”. Disse que gosta muito de Fernando Sabino e do texto: A ÚLTIMA CRÔNICA, esta pode ser lida no Link: http://contobrasileiro.com.br/a-ultima-cronica-fernando-sabino/ . Ela nos chamou atenção para a escrita do autor e para a cena da crônica de Fernando Sabino. Isso para poder nos mostrar uma estrutura de crônica de Norma construída com o aproveitamento de uma cena vivenciada no trânsito, parte da crônica A VIDA (FÁCIL) DO CRONISTA.

Outra rica declaração de Norma foi:

“Cronista tem que andar de ônibus”!

Norma nos ofereceu uma leitura do texto Herança. Texto inspirado em uma cena decorrida dentro de um ônibus. Ela observou os acontecimentos dentro do transporte coletivo e criou a crônica. Veja o conteúdo no link: https://normabruno.wordpress.com/2014/03/18/heranca/ . Ela disse que escutou o diálogo e gravou-o em sua mente para escrever o texto HERANÇA. Informou que é bom praticar a escrita com aquilo que nos é conhecido. Declara: “Comecem a escrever sobre algo que vocês conhecem, escrevem para si e depois mostrem para as pessoas, é a sugestão”.

Ficou a dica de Norma Bruno e a provocação para escrever. Agora é a sua vez! Escreva! Ande! Coragem!

Ao término do encontro aconteceu o sorteio dos três livros da escritora e a reunião terminou com toda essa deliciosidade.

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Participantes presentes:

  1. Evandro Jair Duarte
  2. Norma Bruno
  3. Eliana Pontes
  4. Caroline Paim Müller
  5. Isadora Diniz dos Santos
  6. João Felipe Bruno de Assis
  7. Joaquim Araujo
  8. Pedro Eugênio Pra Baldi
  9. Idê Maria Bitencourt Beck
  10. Marina HadlichUliano de Souza
  11. Pati Peccin
  12. Evelyn Jeissi da Silva

 Texto escrito por Evandro Jair Duarte

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